segunda-feira, 6 de junho de 2011

Encontro Geral "Pela Raia... 100 Muralhas"

O Projecto “100 Muralhas”, Projecto que tem como entidade promotora a Cáritas Diocesana da Guarda, a decorrer, no ano lectivo 2010/2011, nos Agrupamentos de Escolas de Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida (Escola Vilar Formoso), Sabugal e Penamacor, no âmbito da Área Curricular Não Disciplinar de Área de Projecto do 12.º Ano, realizou, no dia 28 de Maio, no Pavilhão Multiusos de Vilar Formoso, o seu Encontro Geral.

Este Encontro pretendeu, essencialmente, através do convívio e partilha das cerca de 100 pessoas presentes, provenientes dos quatro concelhos raianos da área geográfica da Diocese da Guarda, reforçar o grande objectivo do Projecto “100 Muralhas”, ou seja, contribuir para que os alunos e outros agentes locais, desenvolvam acções sobre a Identidade do território onde habitam e elaborem e apresentem produtos finais capazes de promover a auto-estima pessoal e social da região, em prol do desenvolvimento local.

in http://100muralhas.blogspot.com/2011/05/encontro-geral-pela-raia-100-muralhas.html


Os grupos de alunos envolvidos tiveram oportunidade de apresentar de apresentar o produto final do trabalho dos projectos trabalhados ao longo do ano.

Deixamos aqui o video realizado para apresentação do nosso trabalho final:

Entrevista ao Professor José Manuel Campos

Com o intuito de obter mais conhecimentos sobre o contrabando, entrevistamos o Presidente da Junta dos Foios - Professor José Manuel Campos - uma vez que nesta localidade (devido à proximidade com a fronteira de Espanha) se praticou muito o contrabando.

domingo, 3 de abril de 2011

Relatório da Actividade - 4 de Março - Desfile de Carnaval



Sabugal :
No dia 4 de Março pelas 9 horas e meia da manhã , 2 membros do grupo ( João e Maria ) dirigiram-se para o jardim de infância da Casa da Mesiricórdia do Sabugal , para falar com as educadoras Cláudia e Rute , que nos providenciaram algumas dicas sobre o que podíamos ou não fazer ( nomeadamente filmar declarações dos alunos etc. ) e também para solicitar-mos o material que nos possibilitaria a filmagem . Depois de uma conversa breve , fomos ao encontro dos alunos da Escola Primária do Sabugal , que se encontravam nas instalações prontos a começar o desfile que iria dar a volta ao centro da cidade . Bem dispostos e divertidos iniciaram o desfile , alusivo á Raia e a temas nela inseridos nomeadamente a Capeia Arraiana , e o nosso tema , o Contrabando . Não só alunos , mas também professores e funcionárias aderiram com entusiasmo a esta iniciativa , retratando em jeito de brincadeira , a época do contrabando raiano . Desde contrabandistas , a guardas fiscais , passando por toureiros , forcões e bois , com excelentes adereços ( caso dos carregos utilizados pelos contrabandistas , ou as fardas de guarda fiscal ) vimos de tudo neste desfile . De referir ainda que os membros do grupo fizeram uma reportagem fotográfica e de vídeo que iremos tentar publicar no blog.
Terminado o desfile , dirigimo-nos de novo ao jardim de infância onde estivemos á conversa com a educadora Rute e com os seus “meninos” , que , para nossa surpresa , demonstravam saber mais do contrabando e de todos esse tema , do que aquilo que nós esperáva-mos , sendo capazes de nomear utensílios utilizados , distinguir guarda fiscal de carabineiros e ainda contar na íntegra toda a história do livro relacionado com o contrabando “Maria Mim” .

Fotografias Sabugal :



RECONTO MARIA MIM - http://www.mediafire.com/?9yhsuy5szsy312o - clica no link para download

Reunião 4 de Março - http://www.mediafire.com/?xespyfoudcqje1h - clica no link para download


Soito :

No Soito , Luísa Rito e Gabriela Roque , acompanharam na íntegra o desfile realizado pelo Jardim de Infância .
Trajes alusivos ao tema e míudos bastante divertidos não mostrando qualquer incómodo pelo facto de ser um dia frio e com neve , participaram com agrado no desfile , brincando e divertindo-se . Á semelhança do Sabugal , também as educadoras e auxiliares participaram e deram entrevistas . No fim foi-nos possível fazer a célebre pergunta : O que é o Contrabando ? aos mais novos , e constatá-mos que a maioria , respondendo despreocupadamente sabe dizer por palavras suas o que é a actividade . Infelizmente , mais não nos foi possível 
“explorar” mais pois o tempo começou a piorar , tendo os miúdos e professores que voltarem ao Jardim



[EM ACTUALIZAÇÃO]

quarta-feira, 30 de março de 2011

Museu do Contrabando - Santana de Cambas - Mértola


O Museu do Contrabando em Santana de Cambas, concelho de Mértola, foi inaugurado em 10 de Junho de 2009.

Instalado no antigo edifício da Autarquia, o projecto pretende ser o repositório de um manancial de informação, sobretudo oral, que importa salvaguardar e dar a conhecer, não só aos mais novos, mas também àqueles que não tiveram contacto directo com esta realidade. Este espaço foi criado numa perspectiva de mostrar uma parte da história da freguesia, mas também para aproveitar o seu património histórico e cultural como um recurso que poderá trazer riqueza e desenvolvimento.

Algumas fotografias :























quarta-feira, 23 de março de 2011

A Guarda Fiscal

A Guarda Fiscal foi criada pela Monarquia Liberal,em 1885, com o objectivo de impedir o contrabando e sujeitar os produtos à cobrança dos respectivos impostos aduaneiros. A GF realizava a mais dura fiscalização das alfândegas portuguesas, a fiscalização externa, estando o seu dispositivo presente nos mais recônditos lugares da fronteira marítima e terrestre. Com o 25 de Abril de 1974 foi incubida de fiscalizar a entrada e saída de cidadãos do país, serviço antes desempenhado, pela PIDE/DGS.Em 1993,inesperadamente, e muito por força do Ministro da Administração Interna, Dias Loureiro, A GF é extinta e integrada, como Brigada Fiscal, na GNR. A partir dessa data o declínio da instituição foi notório. Muitas das suas competências foram progressivamente deixadas ao abandono pelos comandos da GNR, passado a ASAE,ou a Polícia Marítima, a ter de assegurar essas missões. Em 2008, e por reforma do Ministro da Administração Interna António Costa a Brigada Fiscal é extinta. Os guarda fiscais eram apelidados de "picachouriços" devido à sonda, uma vareta em ferro, que usavam para introduzir nas sacas de produtos a granel, para verificar se nelas vinham escondidos produtos de contrabando.



 Guarita - Servia como abrigo para os guardas fiscais que travavam uma luta cerrada ao contrabando

Mas afinal, o que é o contrabando ?!

Depois de muita pesquisa, acabamos por arranjar uma definição para esta prática.
O contrabando na raia consistiu (e ainda consiste)  em passar produtos através da fronteira Portugal-Espanha ilegalmente, para que não seja pago o imposto.
É visto geralmente pela sociedade como uma pratica repugnante, destruidora dos mais elementares princípios da moral e dos bons costumes. Esta perspectiva deve-se ao facto de a maior parte das pessoas apenas conhecerem da actividade aquilo que é mais hediondo: os grandes crimes económicos, o trafico de drogas, de armas, de crianças e mulheres, e toda uma serie de outros tipos de contrabando susceptíveis de por em causa a harmonia social. Porem, na região da Raia esta pratica não é vista dessa maneira. As gentes desta região usavam o contrabando como um dos meios de subsistência e por isso não o consideram um crime.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Relatório da Actividade - 25 de Fevereiro - Visita e pesquisa acerca do Contrabando

No dia 25 de Fevereiro de 2011, o nosso Grupo de Área de Projecto teve a iniciativa de , através de contactos e pesquisas , dirigir-se a certas infra-estruturas do Sabugal , nomeadamente Museu Municipal , Casa do Castelo e Biblioteca Municipal , para visitar a exposição temporária referente ao Contrabando (isto no Museu) e tentar saber mais informações e qual o conteúdo que a cidade tem ao nosso dispor acerca do tema .
De início o grupo dirigiu-se ao Museu Municipal para visitar-mos a mini-exposição referente ao contrabando e foi-nos oferecido um livro a cada um , de título : Jornadas do Contrabando


Aqui deixamos algumas fotografias:

Farda de Guarda Fiscal

Guaritas - Local de abrigo para os Guardas Fiscais

Roupa usada na época do Contrabando

Trabalhos referentes ao Contrabando realizados pelo Jardim de Infância do Soito, Escola EB1 do Sabugal e Jardim  de Infância de Aldeia de Santo António


De seguida dirigimo-nos á casa do Castelo , e conversá-mos com a Sra . Natália Bispo , que nos forneceu alguns contactos de figuras ligadas ao contrabando , nomeadamente o contacto do Sr. António Cabanas e ainda nos mostrou alguns livros referentes ao tema em questão .


Por útlimo o grupo acabou por ir á Biblioteca Municipal e assim conseguiu a lista dos livros existentes , relativos ao Contrabando .

quarta-feira, 2 de março de 2011

Caminhos do Contrabando

"Eu sou um coelho campal
Que em toda a parte faz cama                      
Anoiteço em Portugal
Amanheço na Espanha
Manuel Leal Freire, Contrabando, delito mas não pecado

Introdução
“Onde há raia há contrabando”. E há também
histórias de contrabando. Histórias contadas pelas
pessoas que no escuro da noite seguiam por caminhos
traçados e imaginados em direcção à raia.
Iam curvados com o peso das cargas e do receio
de serem descobertos pela Guarda Fiscal ou pelos
carabineiros. Com os olhos vigiavam o caminho,
com os lábios recitavam orações porque sabiam
que era no campo sagrado que podiam procurar
ajuda para que o pé fosse leve, apesar do peso
da carga e para que os fardados não lhes saltassem
ao caminho. Se isso acontecesse, era largar
a carga e fugir dali! Perdia-se o fôlego, perdia-se
a carga e perdia-se o dinheiro de uma noite de
caminho. Mas outras viriam! O que interessava é
que não tinham sido apanhados pela Guarda Fiscal
ou carabineiros e nem tinham levado umas
“verduadas” com a bengala que estes traziam
sempre consigo. (...) "

Clique aqui para visualizar a totalidade do artigo



 

Mulleres da Raia


O documentário "Mulleres da Raia", da valenciano/tudense Diana Gonçalves mostra-nos de uma viagem às fronteiras do norte de Portugal e Galiza que nos transportas ao nosso passado mais recente, com o contrabando, a emigração “a salto” e o trapiche como actividades correntes nestas terras, aproveitando a proximidade do país vizinho.
Em tempos de repressão, com os dois países sob regimes ditatoriais, um grande número de portugueses emigrou para França cruzando as duas fronteiras ilegalmente. As mulheres ficaram a cultivar as terras e a educar os filhos.
O contrabando local foi outro meio para escapar da miséria, por isso um exército de mulheres atravessava todos os dias a fronteira para comprar e vender produtos de necessidade, devido à diferença de preço. Este intercâmbio comercial entre as populações fronteiriças do Minho trouxe grandes laços de amizade e deu origem a uma história compartida.
A raia, como popularmente é conhecida a fronteira, guarda uma história de luta diária pela sobrevivência e as suas mulheres são testemunhas.


Para saber mais sobre este documentário, clique aqui

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Reportagem Sic "XI ROTA DO CONTRABANDO/RUTA DEL CONTRABANDO".

No dia 20 de Março de 2010 realizou-se a XI Rota do Contrabando, entre Montalvão e Cedillo.

No próximo dia 26 de Março, irá realizar-se 7º edição deste passeio pedestre, pela antiga Rota do Contrabando, entre Montalvão e Cedillo.

Outros livros

Outros livros acerca deste tema:

"Contrabando, delito mas não pecado" Manuel Leal Freire

"Hacienda, comercio y contrabando en la frontera de Portugal" Miguel Ángel Melón

"Jornadas do Contrabando" Sabugal +

"Contrabando na Fronteira Luso-Espanhola - Práticas, Memórias E Patrimónios" Dulce Freire, Inês Fonseca, Eduarda Rovisco
 

Maria Mim

"Maria Mim é um romance de denúncia e de revolta, face à perseguição que o Estado exercia sobre os contrabandistas quadrazenhos, que não eram ladrões nem fascínoras, como os pintavam as autoridades, mas antes pessoas honradas e virtuosas.

O livro fala da boa gente, de costumes sãos e inatacável honestidade, que povoa a freguesia. Apaixonado pelo contrabando, por viver junto à raia, a um passo de Espanha, e por ter de sustentar a família, o quadrazenho fazia-se à noite, de carrego às costas, enfrentando sem medo as armas de guardas-fiscais e carabineiros. Por exercer negócio ilícito era perseguido pelas autoridades e olhado com desconfiança por povos de outros lugares, o que o obrigou a criar uma linguagem própria, a gíria quadrazenha, para assim iludir quem o espiava e lhe ouvia as conversas.
O romance inicia-se tendo por pano de fundo o cordão sanitário formado pelos militares na raia sabugalense para evitarem que a cólera chegasse a Portugal e começasse a ceifar vidas. O ridículo e ineficaz dispositivo influiu na vida dos contrabandistas que tiveram de contornar mais um obstáculo para comerciarem com os povos do outro lado da fronteira. É aqui que aparece a quadrazenha Maria Mim, de «cabelos de seara madura e o rosto da cor do trigo, quando sai corado do forno», que, qual deusa Ceres, encanta o alferes Júlio Marinho, que chefiava um sector do dispositivo militar. Dali nasceu uma paixão mútua, sempre comedida pela solidez de princípios da quadrazenha, que já tinha um «conversado» ao qual quis ser fiel, e pela honradez do militar que respeitava os valores daquela gente boa e honesta.
No desenrolar do enredo aborda-se a forma de vida em Quadrazais e demais terras raianas, descrevem-se as ricas paisagens e a beleza dos monumentos do Sabugal, conta-se a lenda da Rosa da Montanha, expõe-se a organização da tradicional capeia arraiana. O romance culmina na concorrida romagem à Senhora da Póvoa, em Vale de Lobo, no sopé da Serra da Opa, onde os raianos afluíam em peregrinação.
Nuno de Montemor, pseudónimo do padre Joaquim Álvares de Almeida, não tinha uma pinga de sangue quadrazenho. Nasceu na aldeia porque os pais, oriundos de Pêga, aí haviam instalado uma fábrica de sabão. Saiu mesmo de Quadrazais ainda criança, afastando-se da terra de nascimento. Mas nunca esqueceu, nas suas próprias palavras, o dizer de sua mãe: «se um dia fores homem, lembra-te sempre da terra onde nasceste, porque não há gente boa como a de Quadrazais…». Os anos correram, o então menino fez-se homem e cumpriu o desejo da mãe escrevendo o livro Maria Mim, dedicado à gente boa, mas incompreendida, da terra onde nasceu."
Retirado de http://capeiaarraiana.wordpress.com/2007/09/27/%C2%ABmaria-mim%C2%BB-de-nuno-de-montemor/


Opiniões sobre este livro

"Nuno de Montemor focou, artisticamente, em Maria Mim um pedaço de terra lusitana, da velha e portuguesíssima comarca de Riba-Côa, mostrando, neste livro, belezas naturais e rústicas que tantos portugueses desconheciam.
Ás figuras do romance não lhes ocultou vícios nem afeiçoou virtudes. Nem na figura de Maria Mim houve invenção (...)"
                                                                                           Joaquim Dinis da Fonseca

"No livro Maria Mim segui com emoção e particular interesse o drama dessas figuras fronteiriças, que, por vezes, chegam ao meu consulado de Sevilha, através das malhas oficiais."
                                                                                              António de Cértima

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carregos - Contrabando na Raia Central


O livro «Carregos – contrabando na raia central» da autoria de António Cabanas acrescenta estórias e relatos de contrabandistas e guardas contados na primeira pessoa à história das terras raianas.
A história das gentes e das terras raianas tem mais um capítulo. O livro «Carregos – contrabando na raia central» recorre à memória de velhos contrabandistas e guardas-fiscais que relatam na primeira pessoa as aventuras de que foram protagonistas no jogo do contrabando que servia de alimento a uns e outros.Para o autor, António Cabanas, «a Serra da Malcata ficará para sempre ligada ao contrabando e os seus inúmeros recantos guardarão religiosamente os segredos e cumplicidade de fiscais e contrabandistas».É um livro pleno de vida e de vidas que aconselhamos a todos os raianos porque nos ajuda a entender melhor a nossa identidade e as nossas origens.
Aqui vos deixamos alguns nomes citados no livro e uma passagem do quadrazenho Ti Zé da Horta que relata um dos maiores feitos dos contrabandistas: roubar o carrego ao guarda que lho tinha tirado.«Já estávamos todos na taberna a comer e a beber, entrou o guarda que me tinha tirado o carego. Diz ele: Qual foi o homem a quem tirei o carrego e que mo tirou outra vez? Eles estavam todos calados e eu também. Mas havia lá um, já c’os copos, Foi este! Eu fiquei cheio de medo. O fulano disse, Ande cá, e eu pensei logo que me ia levar para o posto. Depois disse para o taberneiro, Deite aí meio quartilho a este homem! E eu bebi-o.»Os testemunhos são muitos e variados: guarda Loureiro (Aranhas), cabo Adérito (Penamacor), Rui Alziro (Fóios), Xico Balau (Soito), Ti Morão Filho (Quadrazais), João Rato (Soito), Ti Salomão (Penha Garcia), guarda Peres (Meimão), cabo Álvaro Fernandes (Sabugal), guarda Ferrão (Penamacor), D. Mariazinha (Quadrazais), Manuel Galinhas (Meimoa), Ti Carlos Felício (Malcata), Ti Zé da Horta (Quadrazais), José Morão (Quadrazais), guarda Lousada (Aldeia do Bispo), Ti Giló (Fóios), Tó da Boina (Vale de Espinho), José Mege (Soito), Lito (Soito), Ti Passaró (Fóios), prof. Xico Zé (Fóios), Amândio (Aldeia do Bispo), João Lérias (Vale de Espinho), Ti Gerónimo (Fóios) e Ti João Casinha (Quadrazais)

António Cabanas , o autor nasceu na Meimoa, concelho de Penamacor, em 1961, no seio de uma família rural. Foi vigilante da natureza, técnico superior e director na Reserva Natural da Serra da Malcata. Actualmente é vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor.A publicação do escrito contou com o apoio das Câmaras Municipais do Sabugal, Penamacor, Almeida, Belmonte, Fundão, Guarda, Idanha-a-Nova, Governo Civil de Castelo Branco e
Região de Turismo da Serra da Estrela.

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O nosso grupo já tentou entrar em contacto mais que uma vez com o autor , Manuel Cabanas mas sem sucesso . Continuaremos a esforçar-nos para conseguir conversar com o mesmo e fazer uma possível entrevista , adquirindo igualmente o livro . 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Resultados dos Inquéritos

Ainda no primeiro período o nosso grupo elaborou e distribuiu inquéritos pelo ambiente escolar , nomeadamente pelos alunos do secundário ( 10º . 11º e 12º ) , de modo a conseguirmos construir uma base de informação válida , que nos veio a servir de ajuda para melhorar-mos o nosso plano de actividades a realizar ao longo do ano , consoante aquilo que achamos que vale a pena fazer de acordo com as "necessidades" do público alvo.

O nosso inquérito era composto por 3 perguntas :

 - Sabes o que é o Contrabando ?
 - Tens conhecimento de alguém que  tenha feito contrabando no passado ?
 - Conheces alguns dos produtos que costumavam ser contrabandeados ?


Depois de distribuídos e posteriormente recolhidos , os dados foram analisados pelos membros do grupo e eis os resultados que obtivemos ( no geral do secundário ) :

Sabes o que é o Contrabando ?

Sim - 85 % - 125 Alunos
Não - 25 % - 22 Alunos


Tens conhecimento de alguém que tenha feito contrabando no passado ?

Sim - 65 % - 95 Alunos
Não - 35 % - 52 Alunos

Conheces alguns dos produtos que costumavam ser contrabandeados ?

Sim - 78 % - 115 Alunos
Não - 22 % - 32 Alunos

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vocabulários dos Contrabandistas

Em todas as profissões existe uma chamada linguagem técnica. Os contrabandistas, no seu tipo de trabalho, também utilizavam palavras ou expressões diferentes das utilizadas no dia a dia. Por esse motivo decidimos fazer uma recolha dessas palavras ou expressões junto daqueles que as utilizavam.


Andar ao jornal- andar a trabalhar para;
Jornaleiros- empregados no contrabando;
Jorna- dia; trabalhar á jorna, trabalhar de dia;
Macutos- carregos, contrabando levado ás costas;
Passear- passar o carrego, contrabandear;
Brunias- andar de gatas;
Saltaram-me- aparecer de imprevisto;saltaram os Guardas, apareceram os Guardas;
Andar para- trabalhar para;
Navegar- fazer contrabando;
Micheiros- isqueiros;
Denunche- denuncia;
Veredas- Caminhos ou lugares na Serra por onde os Contrabandistas passavam quando iam levar o contrabando a Espanha ou o traziam para Portugal.


Génese e Significado do Contrabando

Afastadas dos centros urbanos, as povoações raianas, do concelho do Sabugal, viviam centradas nas povoaçoes espanholas mais próximas, que possuíam condições de vida um pouco mais favoráveis.
Todos os dias portugueses iam a Espanha, e espanhóis vinham a Portugal. O grande problema destas visitas ao território estrangeiro, eram os carabineiros e os guarda-fiscais.
As relações comerciais entre os povos transfronteiriços, eram uma realidade e o comercio reciproco exercido pelos contrabandistas entre as aldeias, razoavelmente próximas da fronteira.
Desde sempre as populaçoes portuguesas e Espanholas conviveram e realizaram negocios, lucrativos para ambos, motivando assim o maior numero de realçoes entre os povos de um lado e outro da Raia.

Aldeia da Ribeira, Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Batocas, Alfaiates, Forcalhos, Soito, Lageosa da Raia, Fóios, Vale de Espinho, Malcata e Quadrazais mantinham relações comerciais,  com Allmedilla, Albergaria, Casillas de Flores, Navas Frias, Valverde del Fresno e San Martin de Trevejo.

Para a lei portuguesa, o contrabando é considerado crime e será «toda a acção ou omissão fraudulenta que tenha por fim fazer entrar no país ou sair dele quaisquer mercadorias sem passarem pelas alfandegas.»
No Dicionário Da Línguas Portuguesa, os contrabandistas sao considerados «gente de má nota» e o acto de contrabandear é considerado «um acto reprovavel, praticado ocultamente».

No entanto, para os contrabandistas raianos, este tipo de vida representava uma questão de sobrevivência familiar e de reprodução social. Nas aldeias da raia esta actividade era aceite e tolerada, sendo mesmo considerada honesta, enaltecida e revestida de heroísmo.

O contrabando feito na raia, salvo algumas excepções, não era um contrabando organizado, muito lucrativo, tal qual uma verdadeira industria, mas sim um contrabando de subsistência.
Este tipo de contrabando era pouco rentável face aos riscos que envolvia, era um recurso alternativo aos poucos proventos da agricultura. Este realizava-se sobretudo devido à necessidade de angariar meios de subsistência, para a família, habitualmente numerosa, já que numa noite, caso tudo corresse bem, podiam ganhar o dinheiro de uma semana ou de um mês.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Entrevistas - Sabes o que é o contrabando ?!

Com o objectivo de avaliar o conhecimento da comunidade escolar acerca do nosso tem ' O Contrabando - Um passado esquecido' realizamos entrevistas a todos os alunos que se mostraram disponíveis. Concluímos que a grande maioria não sabe realmente o que era e é o contrabando.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Relatório da Actividade – Entrevista com o Presidente da Junta dos Fóios – José Manuel Campos

O grupo reuniu-se no dia 8 de Dezembro nos Fóios com o objectivo de entrevistar o Presidente da Junta dos Fóios, visto que na localidade se praticou muito contrabando.
O Prof. José Manuel Campos disponibilizou-se para ser entrevistado, esclarecer dúvidas e ajudar em actividades futuras.
Procedemos então à entrevista que foi gravada e será brevemente publicada no blog e no youtube de modo a que todos possam ter acesso a ela.
Questões realizadas durante a entrevista:
Qual era a sua relação com o contrabando?
Que produtos eram ‘’contrabandeados’’?
Alguma vez foi apanhado enquanto ‘’contrabandeava’’?
Porque era proibido o contrabando?
Conheces casos onde houve mortes de contrabandistas?
Tem alguma história caricata que nos possa contar?

Após a realização da entrevista gravada, o Professor disponibilizou-se para nos responder a algumas perguntas por escrito.

Entrevista por escrito ao Sr. José Manuel Campos

1. Quanto tempo andou no contrabando?
R: Apenas dois anos. Mas vivi e senti a vida que levaram os meus pais e as minhas irmãs.

2. Que produtos contrabandeava?
R: Café, peles, azeite, e produtos alimentares.

3. Como se processava o contrabando?
R: Eu fiz contrabando a pé mas vi muitas pessoas fazer contrabando com animais. Cavalos, burros, machos etc, etc.

4. Foi apanhado alguma vez?
R: Sim. Fui apanhado pela guardia civil espanhola e fugi várias vezes dos guardas fiscais.

5. Conhece algum caso onde tenha havido mortes?
R: Sim. Tive conhecimento de algumas cenas horríveis. Na área geográfica de Foios há algumas pedras erguidas em honra de alguns contrabandistas que para mim foram autênticos heróis.

6. Quanto ganhava em média por noite?
R: Ganhava numa noite vinte escudos. Para ganhar para um fato e um par de sapatos, para estrear na festa, era necessário ir muitas vezes e tinha que haver alguma sorte.

7. Costumava-se tentar comprar os guardas?
R: Eu não fiz contrabando a esse nível mas conheço muitas histórias em que essa situação se verificou.

8. Os contrabandistas andavam armados?
R: Quando eu pratiquei o tal contrabando ainda era muito novo e não se falava em armas. Mas ouvi histórias de homens que andavam, de facto, armados.

9. Porque era proibido o contrabando?
R: O Contrabando era proibido para evitar a fuga de divisas e porque não se pagavam os impostos ao estado.

10. Depois do 25 de Abril melhorou ou piorou?
R: Depois do 25 de Abril de 1974 deixou de se praticar algum tipo de contrabando para se iniciarem outras actividades. Começou por se fazer o contrabando do tabaco e do café através de carros, carrinhas e camiões.

11. Tem alguma história que lhe tenha ficado na memória por alguma razão em especial?
R: Uma noite, já perto de Valverde del Fresno, saltaram-nos os carabineiros, num olival e cada fugiu para onde pode. Eu escondi-me num silvado, com o respectivo carrego dos vinte quilos e safei-me. Os carabineiros passaram várias vezes próximo e mim mas eu, caladinho que nem um rato, mal respirava.
Quando eles foram embora saí, com muito medo, e lá consegui chegar a casa do ‘Fino’ que ficou muito feliz porque já não contava com o meu carrego.
José Manuel Campos

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Contrabando - Um passado esquecido

No ambito da disciplina de Area de Projecto, o nosso grupo decidiu optar por um tema que pensamos estar esquecido pela populaçao mais antiga e pouco conhecido pela populaçao mais jovem.
Queremos, portanto, com este projecto conhecer e divulgar a historia do contrabando na Raia e contribuir para que os jovens do concelho e não só conheçam historia do contrabando do concelho do Sabugal.